quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Andrea Chénier. A Revolução na Ópera

, Há algum dias atrás tive a oportunidade de assistir uma Ópera intitulada Andrea Chénier de Umberto Giordano. Muito bem produzida e com excelência nos detalhes e na interpretação, o espetáculo é envolvente e prende a atenção do espectador até o fim. Andrea Chénier caiu no gosto do público desde sua estréia, em 1896, com o enredo que relata a história de um grande poeta francês.
"Andrea Chénier é uma ópera de grandes paixões, grandes paradoxos: amor e esperança em meio a reviravoltas políticas e destruição."
 A trama aborda a vida de Chénier, um grande poeta moderno, preso e guilhotinado durante o período do Terror na Revolução Francesa. Publicou pouco e foi conhecido apenas depois de sua morte, aos 32 anos. Ele era um revolucionário que fez dos seus poemas uma arma contra os abusos da revolução e se apaixona pela nobre jovem, Maddalena Coigny.
Um ponto que teve lugar especial na ópera foi o cenário, projetado pelo cenógrafo Renato Theobaldo, que usando poucos objetos de cena e estruturas em grande escala, conseguiu retratar as ambientações com originalidade e beleza. O cenógrafo não se ateve em montar cenários que representassem fielmente a arquitura e as paisagens francesas do século XVIII. Pelo contrário, usando matériais muitas vezes simples como plástico transparente, tule e malhas, alcançou um grande efeito visual e aparentemente de fácil montagem, o que para um grande espetáculo com pequenos intervalos entre os atos é essencial.
Em todos os cenários foram usadas duas estruturas com escadas sendo que uma delas era ligada a uma grande rampa. O primeiro ato se passa no jardim de inverno do castelo dos condes de Coigny, na província francesa. Nessa montagem foram usados apenas plásticos transparentes, que formavam colunas e paredes de cor prata devido à iluminação.
 No segundo ato, o elenco está reunido em um lugar público, o terraço de um café. Há um altar dedicado a Marat, com o busto do revolucionário. Dessa vez as cores remetiam as da bandeira da França, assim como os extravagantes figurinos. No fundo um grande pano azul, e pendurado por cima das mesas algumas peças de tule branco com algumas roupas.
No terceiro ato, a cena se passa no tribunal revolucionário, com um pano de fundo vermelho, escadas e dessa vez, uma grande rede de malha costurada. Nessa mesma cena, a estrurura de malha é movida para a lateral, abrindo espaço no meio do palco.


A grande surpresa ficou para o final, o quarto e último ato se passa na prisão de Saint Lazare. No pátio da prisão é onde Chénier escreve e depois encontra Maddalena antes da morte. O cenário ficou à altura da cena, a estrutura de malha continuou, só que agora com mais uma grande parte anexada, retorcida junto à primeira formando um teto. De fato, o cenógrafo alcançou com simplicidade de material um grande impacto visual. 


video

Antes de entrar para o Grande Teatro no Palácio das Artes e assistir a ópera, confesso que esperava encontrar um cenário bem tradicional, fiel aos detalhes da época, mas fui surpreendido por algo simples e impactante. 

Confira aqui mais fotos: http://picasaweb.google.com/117298126087730063788/OporaAndreaChenier#

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